Um trauma ou outro
Um estranho me chama.
Estou na cama
Acamado e com dor.
Vejo chance —
Talvez de relance
Eu vi algum amor.
Esse ruído — silente —
Que destrói — a mente —,
ajoelhar me faz diante do andor.
A minha loucura desvairada
de mim faz desaires e surriada,
Pois até para ela fui e sou tolo e furta-cor.
Meu querido, isto parece que é impossível,
Acho que o dano da rejeição é plausível.
E mesmo que não, como provas que não és traidor?
Meu bem, não sei se consigo algum outrem amar de novo,
Porquanto não sei quem faz parte daquele povo
Que mata, envergonha, desaba, abandona, odeia e faz gracejos do amoroso labor.
Eu sinto medo de amá-lo, e nem sei se me amas porque nunca me comprovaste que poderias dizer: eu te amo.
Sinto-me mal no negrume da noite florestal, enquanto procuro uma agulha chamada abnegação: Eu também te chamo.
Tudo isso é culpa duma doença de desgraça que mata a gente que quer viver bem; ela é, da humanidade, a pobreza mor.
Mas tudo termina tão rápido quanto começou —
Este rabo de pavão que me impressionou
Só serve às lágrimas de clamor.
Vamos ver, meu querido.
Será meu preferido?
Basta amor pôr,
E veremos.
Ao meu amor provecto e ulterior,
Guilherme 
